Congresso impõe primeira derrota ao presidente eleito da Colômbia antes da posse
Presidente da Colômbia proíbe cerimônia de posse de seu sucessor em base militar O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, sofreu sua prime...
Presidente da Colômbia proíbe cerimônia de posse de seu sucessor em base militar O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, sofreu sua primeira derrota política no Congresso nesta segunda-feira (20) , em um revés que pode dificultar a formação de uma base de apoio para aprovar as reformas prometidas durante a campanha. Sem um partido forte no Parlamento e eleito com um discurso de combate ao establishment político, De la Espriella tenta costurar alianças antes de assumir o cargo, em 7 de agosto. No entanto, os parlamentares rejeitaram o candidato apoiado por ele para presidir o Senado, uma posição estratégica para a tramitação das propostas do futuro governo. A votação ocorreu durante a instalação do novo Congresso, eleito em março para um mandato de quatro anos. Em vez do nome indicado pelo presidente eleito, os senadores escolheram um integrante do partido ligado ao ex-presidente de direita, Álvaro Uribe, para comandar a Casa. O resultado foi possível graças a uma articulação considerada inédita no cenário político colombiano. Parlamentares da esquerda, derrotada nas eleições presidenciais de 21 de junho, uniram-se a setores da direita tradicional para barrar o candidato de De la Espriella. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella (segundo à direita) REUTERS/Nathalia Angarita Após a votação, congressistas vinculados ao ex-presidente Uribe e ao atual presidente, Gustavo Petro, celebraram o resultado no plenário. Na Colômbia, é tradição que um aliado do presidente eleito assuma a presidência do Senado no início do mandato, facilitando a aprovação das primeiras medidas do governo. “Primeira derrota para De la Espriella”, escreveu o senador Iván Cepeda, candidato da esquerda derrotado no segundo turno presidencial, em publicação na rede social X. Advogado e empresário milionário de 47 anos, De la Espriella já havia afirmado durante a campanha que poderia recorrer a decretos presidenciais caso enfrentasse resistência do Congresso. Com a derrota na disputa pelo comando do Senado, a necessidade de construir alianças parlamentares se torna ainda mais urgente. Entre suas principais propostas estão: a redução de 40% da estrutura do Estado o aumento das operações militares contra organizações ligadas ao narcotráfico a extinção do tribunal de paz criado após o acordo histórico firmado entre o governo colombiano e a guerrilha das FARC, em 2016. Embora tenha vencido a eleição presidencial, o campo político que mais apoiou De la Espriella durante a campanha ocupa apenas uma pequena parcela das cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado, o que pode limitar a capacidade do novo presidente de implementar sua agenda sem negociações com outras forças políticas. Suspeita de plano de atentado amplia tensão antes da posse A equipe de La Espriella afirma ter recebido informações de inteligência sobre um suposto plano de atentado articulado por grupos guerrilheiros. Segundo seus assessores, integrantes do ELN e dissidências das Farc teriam oferecido recompensa para executar o ataque. Apesar das ameaças e dos alertas sobre possíveis infiltrações em eventos públicos, De la Espriella manteve sua agenda de transição e pediu a abertura de uma investigação. A denúncia surge em meio ao agravamento da violência no país e às promessas do futuro governo de endurecer o combate aos grupos armados ilegais.